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  • Foto do escritorVinicius Andrade

CICLOS DE MERCADO


Em nossa jornada como investidor, é certo que iremos encarar altos e baixos em nossos investimentos, seja ele qual for, renda fixa, renda variável, imóveis, negócios e etc. Então, é de extrema importância que logo de início compreendamos os ciclos de mercado, seus fundamentos, sua formação, duração e como nos comportarmos em suas fases.


Esse assunto é bem amplo e não pretendo passar por ele todo nesse artigo, mas sim, os pontos mais importantes.


Para isso, irei contar com algumas referências de duas obras literárias: ‘’O Mais Importante para o Investidor’’ e ‘’Dominando o Ciclo de Mercado’’ de um dos maiores gestores dos Estados Unidos, Howard Marks da Oaktree Capital. E se prepare, pois futuramente irei trazer outros ensinamentos importantíssimos deste grande gestor.


Sendo assim, primeiro precisamos entender que quase tudo é cíclico, com um começo, meio e fim, isso não é diferente com os mercados e com os ativos. E aqui já deixo uma citação de Marks que gosto muito:


‘’Nada caminha para sempre em uma só direção. As árvores não crescem até o céu. Poucas coisas chegam a zero. Quase nada é tão perigoso para a saúde dos investidores quanto a insistência em extrapolar os eventos atuais para o futuro’’. 


Essa citação se encaixa muito com o que vivemos como investidores no Brasil, sempre pensando que o país vai virar uma Venezuela, que é só daqui para baixo, que a recessão é para sempre. O que já se provou não ser verdade diversas vezes na história, mas a todo momento insistimos em ter esse pensamento.


E isso é exatamente o que Marks diz em sua obra, ressaltando que poucas coisas se movem em linha reta, há expansão e depois, retração. Tudo vai bem por um tempo e depois vai mal. A retração pode surgir gradualmente e, depois, atingir seu pico. Mas um princípio importante é que tudo passa por um ciclo de crescimento e declínio, ascensão e queda. Logo nos deixando duas regras:


Regra número um: a maioria das coisas se comportará de maneira cíclica.

Regra número dois: algumas das maiores situações de ganhos e perdas ocorrem quando as pessoas se esquecem da regra número um.




Entendendo que os ciclos são inevitáveis e aceitando a importância desse fato, vamos entender agora como são formados.


Ao contrário de tudo na natureza que possuí um comportamento cíclico previsível, como por exemplo, uma planta que nasce, cresce, floresce e morre, Howard destaca que a razão para a ciclicidade no mundo, nos mercados e na economia é o envolvimento dos humanos. Isso porque nós humanos somos mais emotivos e inconsistentes do que estáveis e analíticos. Pois em determinados momentos as pessoas demonstram certos comportamentos que vai desde o extremo pessimismo até o exagerado otimismo, e isso se reflete na economia, aumentando ou diminuindo o consumo, maior distribuição de crédito, inflando os preços dos ativos e causando bolhas em diversos mercados. Abaixo deixo uma figura apresentando as fases das emoções em cada etapa do ciclo.



Marks pontua que ‘’ciclos nunca deixarão de ocorrer’’ e saber disso no início da nossa jornada como investidor é de extrema importância, pois é bem fácil para quem está iniciando nos investimentos e que está passando eventualmente por um ciclo de baixa ou de alta, achar que aquele momento se perpetuará para sempre.


Aproveitando a figura mostrada acima, quero te fazer uma pergunta, em qual momento desse ciclo você acha ser mais confortável realizar um investimento? Repare que eu perguntei sobre ser confortável e não o momento ideal. Pois é, o momento mais confortável de se realizar um investimento é no pico do ciclo ou no rumo dele, como no otimismo, entusiasmo até na euforia. É confortável porque o esforço mental que temos que fazer é baixo, já que todo mundo está indo na mesma direção e as vezes ficamos reticentes em discordar, com medo de sermos taxados como loucos, bobos ou até as vezes por acreditar que somos incapazes de elaborar um pensamento mais sofisticado que a maioria. Esse é um efeito famoso chamado de ‘’efeito manada’’. E isso se aplica tanto nas baixas como nas máximas.


Infelizmente esse é um ponto ‘’ruim’’ de se investir, pois na maioria das vezes não se ganha dinheiro fazendo o que todo mundo faz e será preciso andar na ponta contrária. Evitar comprar o que está todo mundo comprando e comprar quando ninguém mais quer.


Mas calma, que nesse artigo vou procurar te ajudar a entender quais ativos podem ser ideais de se investir em cada etapa do ciclo e uma forma de entender em qual etapa podemos estar partindo de um método tirado do próprio livro de Howard Marks. Abaixo você pode ver uma figura que demonstra a performance de cada classe de ativo em determinados períodos do ciclo.



Conforme demonstrado, conseguimos entender que em momentos de baixa, os ativos atrelados a renda variável como ações, commodities, FIIs e etc, sofrem uma queda nas suas cotações e que nesse mesmo período, ocasionado por um aumento das taxas de juros, os títulos da renda fixa se tornam mais atrativos. No decorrer do ciclo, em algum momento os ativos da renda variável voltam a se valorizar e os títulos da renda fixa vão se tornando menos atrativos.


Como eu disse, abaixo deixo uma tabela tirada do livro ‘’O Mais Importante para o Investidor’’ elaborada por Marks, com algumas perguntas que podem ajudar o investidor identificar em qual etapa dos ciclos estamos. A orientação de Howard Marks é se caso for assinalado a maioria das respostas do lado esquerdo da tabela, pode ser que você esteja vivendo num momento de mercado altista e que na qual Marks recomenda cautela ou nas palavras dele ‘’ponha um escorpião no bolso’’.



Lembrando que o objetivo aqui não é prevermos o futuro ou fazer market timing, buscando a melhor hora de comprar ou vender, pois isso é praticamente impossível e não recomendo que faça. Mas sim, fazer com que você não se desespere nos momentos do ciclo tomando decisões precipitadas e se voltar para decisões mais acertadas, não se deixando dominar por vieses e comportamento alheios.


Prometo ser a última vez que cito Howard Marks nesse artigo, “You can’t predict. You can prepare” (Você não pode prever. Você pode se preparar)

 

Foi um prazer estar com você em mais um artigo e espero te encontrar no próximo!

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